No frescor da juventude do jesuíta José de Anchieta algo não ia bem. Recém entrado na jovem Ordem Religiosa chamada Companhia de Jesus, parecia que seu sonho em tornar-se missionário em terras distantes estava por desmoronar-se.
Um dia, pelos corredores da comunidade dos jesuítas em Coimbra, encontram-se com o seu superior que lhe pergunta: “Como vai José?” Ao que ele imediatamente responde: “Não muito bem, padre, os médicos dizem que tenho uma doença incurável.” O superior, olhando bem nos seus olhos lhe disse: “Se o Senhor o quiser assim para o bem de sua Missão e de sua maior Glória, você aceitará?” A resposta positiva foi imediata. O jovem Anchieta levantou a cabeça e dilatou o coração. Naquele momento difícil, de dúvida, de aparente fracasso, de encontro cruel com a própria debilidade, era forjado o homem que, dentro de alguns meses, colocaria seus pés numa caravela e partiria para sempre a fim de dar a vida pelo anúncio do Evangelho em nossa Nação.
Daquela enfermidade, adquirida nos átrios de sua juventude, Anchieta jamais curou-se. Talvez nunca tenha pedido tal milagre a Deus. Não tinha tempo para dar atenção à sua dor. Estava muito ocupado em amar. De fato, um pouco antes de sua viagem definitiva ele afirmou que se ao menos fosse capaz de ensinar o Pai Nosso e a Ave Maria aos indígenas, já se sentiria satisfeito com a sua missão. Mas ele foi mais longe, ensinou o Evangelho a uma Nação. Como bem disse o Papa Francisco na Missa em Ação de graças pela canonização do Apóstolo do Brasil em 2014: “Anchieta plantou os fundamentos culturais de uma nação em Jesus Cristo”. Sua criatividade apaixonada desenhou os primeiros rabiscos da nossa cultura tão cheia de imaginação, de sonhos e de paixão pela vida. Nossas raízes brasileiras são indígenas e traços delas permanecem e são evidentes em nós brasileiros, na nossa alegria contagiante, no nosso amor à liberdade, na paixão pela música e pela dança, no nosso sagrado respeito e apreço ao diferente.
Anchieta, cedo apaixonou-se por nosso país, pelos que nele habitavam, pela língua e o modo de ser dos nativos. Reconhecia que o Espírito já havia semeado naqueles seres humanos o seu amor e que o ofício do apóstolo era simplesmente regar cuidadosamente aquelas sementes divinas. Faleceu no dia 9 de junho de 1597, aos 63 anos de idade. Além do riquíssimo legado cultural e espiritual que nos deixou, a vida de Anchieta é um convite a não desanimar diante das tribulações, mas de seguir em frente, glorificando a Deus com a vida e contemplando nossos limites e dificuldades não como obstáculos mas como oportunidades para que em nossas fraquezas Deus manifeste todo o seu poder (ref. 2 Cor 12,9).
Oração a São José de Anchieta
São José de Anchieta,
Apóstolo do Brasil,
Poeta da Virgem Maria,
Intercede por nós hoje e sempre.
Dá-nos a disponibilidade de servir a Jesus
Como tu O serviste nos mais pobres e necessitados.
Protege-nos de todos os males
Do corpo e da alma.
E, se for vontade de Deus,
Alcança-nos a graça que agora te pedimos
(pede-se a graça)
São José de Anchieta, roga por nós!
Amém.
Texto adaptado: Pe. Bruno Franguelli SJ – Cidade do Vaticano