OS VENTOS QUE LEVARAM A UM VOO INÉDITO NA FESTA DO PADROEIRO DO BRASIL

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OS VENTOS QUE LEVARAM A UM VOO INÉDITO NA FESTA DO PADROEIRO DO BRASIL

Os ventos que levaram a um voo inédito na Festa do Padroeiro do Brasil

Rodolpho Cavalini e André Alvarenga foram os primeiros pilotos a voarem de parapente desde a rampa de voo livre no município de Alfredo Chaves até a Praia Central de Anchieta.

Os pilotos percorreram uma distância livre de 20 km em 1 hora e 20 minutos, atingiram 1000 m de altitude e alcançaram uma velocidade de 48,5 km/h. De parapente, os pilotos ainda sobrevoaram o histórico Santuário de Anchieta, durante a festa do Padroeiro da cidade e do Brasil.

“Fazer um voo inédito gera nos pilotos o desejo de explorar novas rotas, superar seus limites técnicos e dos seus equipamentos”.

Rodolpho Cavalini

O desafio era o destino

Os pilotos decolaram no dia 16 de junho, início de uma tarde de outono, sabiam apenas que havia condições seguras e propícias para novos caminhos.

“Exatamente neste dia as condições estavam perfeitas para realizar uma rota pouco explorada.”

Rodolpho Cavalini

Alto Benevente: o ponto de partida

Os municípios de Anchieta e Alfredo Chaves são interligados pelo Rio Benevente. No território alfredense, o rio ganham volume e deságua na Praia Central de Anchieta. Exatamente o novo destino que seria explorado por Rodolpho e André.

A Rampa de voo livre, em Alfredo Chaves, de onde partiu voo é considerada uma das mais seguras pistas de voo livre do mundo.

A rampa de Alfredo Chaves recebe pilotos de todo o mundo há mais de 37 anos e nunca tivemos registro de um pouso na Praia Central de Anchieta.

Rodolpho Cavalini

Foz do Benevente: sobrevoar um lugar histórico

Próximos da aterrissagem, os pilotos avistaram um monumento histórico de grande importância para a história do Brasil: o lugar onde morreu São José de Anchieta, aos 63 anos, em 1597. O Santuário Nacional é dedicado ao Apóstolo e Padroeiro do Brasil, que foi canonizado em 2014 pelo Papa Francisco.

Vista aérea do Santuário Nacional de São José de Anchieta, localizado à 80km da capital Vitória. Ao fundo, a foz do Rio Benevente.

Ventos favoráveis

O rumo desse voo inédito que sobrevoou o Santuário não foi definido previamente pelos pilotos. A definição aconteceu durante o voo. “Ao lado do morro do Urubu, decidi mudar de rota e pousar na Praia Central de Anchieta, uma vez que nunca havia pousado lá”. explicou Rodolpho, que pratica o esporte há 23 anos.

“A direção e velocidade do vento, as térmicas estavam perfeitas para realizar essa rota e chegar até a Praia Central”.

Rodolpho Cavalini

No ar, ventos favoráveis os levaram à realizar este feito inédito na Festa de São José de Anchieta, que também era chamado Padre Voador.

Curiosidade: Anchieta, Padre Voador

Padre Anchieta chegou ao Brasil, em 1553. Com 17 anos, seguiu pelo mar a perigosa e incerta rota do Novo Mundo, apesar da saúde frágil.

Sentia fortes dores nos ossos, causadas por uma tuberculose óssea. Por isso, andava sempre a pé. Com uma agilidade extraordinária, percorria quilômetros em segundos. Esta é a razão pela qual os registros da época mostram que Anchieta era chamado pelos indígenas de Padre Voador.

Uma decisão nas alturas

O piloto Rodolpho Cavalini não estava sozinho. A decisão de explorar uma rota inédita deveria ser confirmada pelo seu companheiro de voo.O piloto André Alvarenga, que o acompanhava em outro parapente, prontamente aceitou o desafio, apesar da diferença de altitude em que se encontrava.

Leia agora o empolgante relato dessa decisão nas alturas.

Rodolpho Cavalini e André Alvarenga após aterrissagem inédita na Praia Central de Anchieta.

Um relato emocionante

No dia 16 de junho fui para Alfredo Chaves voar como de costume, já havia combinado com o Rodolpho Cavalini de voarmos juntos. O dia estava lindo, céu azul com nuvens que mais pareciam algodão doce.

Decolamos e logo ganhamos altura, desde o início tínhamos em mente fazer um voo diferente.

Em pouco tempo já estávamos sobrevoando a BR 101, o vento e as nuvens mostravam que o caminho a seguir seria para Guarapari. Porém, oRodolpho me chamou no rádio.

Perguntou se eu aceitava o desafio: tentar pousar em Anchieta. É lógico que aceitei! Então o voo ficou cada vez mais difícil.

Pegamos a última térmica no Monte do Urubu, de lá já dava para contemplar o imenso manguezal de Anchieta. Este seria meu maior desafio,eu não tinha altura suficiente, o Rodolpho estava mais alto e saiu na frente, fui mais baixo e logo atrás.

Pensei em desistir.

Mas vendo o Rodolpho já em cima da praia e muitos pássaros sobrevoando o Santuário Nacional de São José de Anchieta, resolvi arriscar.

Passei muito baixo sobre a cidade e sobrevoar o Santuário foi a parte mais bonita desse voo inédito de Alfredo Chaves até Anchieta.

Obrigado São José de Anchieta!

André Alvarenga, piloto e instrutor de parapente

A rota e as imagens desse voo de parapente inédito

Voo inédito da Rampa de voo livre de Alfredo Chaves alcança a Praia Central de Anchieta e sobrevoa o Santuário Nacional durante a Festa Nacional do Apóstolo e Padroeiro do Brasil.

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