O Santuário Nacional de São José de Anchieta como centro irradiador de solidariedade

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Mensagens de apoio escritas à mão nas tampas das marmitas enviadas às vítimas das enchentes: os voluntários que se reuniram no Santuário de Nacional de São José de Anchieta adotaram essa prática. Reunidos para atender as vítimas das enchentes os voluntários preparam mais de 1000 refeições diárias. 

 

Um lugar físico e simbólico que acolheu as pessoas que manifestavam o desejo de ajudar as vítimas das enchentes que atingiram o sul do estado do Espírito Santo, o Santuário Nacional de São José de Anchieta, reúne desde o dia 18 (sábado) centenas de voluntários para receberem doações e prepararem mais de mil refeições diárias. Enviar o alimento pronto foi uma resposta à necessidade das famílias atingidas, pois as cidades não tinha condições de preparar qualquer tipo de comida.

A missão jesuíta presente nos municípios de Anchieta e Iconha fizeram a diferença no atendimento às vitimas, pois agiram de forma rápida e organizada.

“Vivemos um momento de emergência”, reconheceu padre Nilson Marostica, reitor do Santuário Nacional de São José de Anchieta. “Não é hora para ficar medindo crenças religiosas ou criar burocracias”, afirmou. “Abrimos nossa casa, o Centro Pastoral, o Santuário de Anchieta e a igreja matriz de Iconha. Convocamos os leigos. Fizemos aquilo que a Companhia de Jesus faz: ir lá onde ninguém quer ir, fazer a diferença e com excelência. É um trabalho de fronteira”, concluiu.

A previsão é de que o serviço de preparo dos alimento no Santuário seja encerrado na terça-feira (28), completando assim 11 dias de trabalho voluntário, ininterrupto, com a entrega de até 1350 refeições diárias.

No último sábado (25), uma nova enchente atingiu o sul do estado do Espírito Santo, dessa vez inundando as regiões do Caparaó e das bacias dos rios Itapemirim e Castelo. Os 100 km de distância entre o Santuário de Anchieta e a cidade de Castelo não impediram que os voluntários de Anchieta continuassem o trabalho e, desde então, enviassem as refeições ao município mais atingido pela segunda enchente.

O serviço de amparo e reconstrução continuará. “À medida que as famílias voltam para suas casas vão precisar de mantimentos e apoio para se reestruturarem. O futuro a Deus pertence, mas nós trabalhamos no hoje”, disse padre José Célio.

Solidariedade: marmitas preparadas no Santuário de Anchieta para as vítimas das enchentes no Espírito Santo

Solidariedade: marmitas preparadas no Santuário de Anchieta para as vítimas das enchentes no Espírito Santo

 

Uma palavra de apoio em cada marmita

“Eles têm o carinho de escrever na tampa da marmita uma mensagem para quem irá receber”, destacou padre Nilson.

Escrever mensagens de apoio foi uma iniciativa dos próprios voluntários no Santuário de Nacional de São José de Anchieta e dá uma dimensão do movimento de solidariedade.

As mensagens se multiplicaram. Um número cada vez maior de pessoas adere a proposta e enviam doações com recados. As redes sociais registraram a surpresa e o agradecimento de quem recebeu o alimento, mesmo sem saber de onde veio e quem teve o carinho de escrever. Após a segunda enchente, há registro de moradores das regiões afetadas na primeira inundação que agora enviam suas doações com mensagens de incentivo e apoio semelhantes às que receberam.

“Sabe o que é o espírito cristão? É fazer o bem sem olhar a quem. Aqui, isso está funcionando. É muito bonito”, avaliou padre Nilson.

Para Virgínia Jandes, que se dedica ao serviço voluntário desde o primeiro dia, é importante que as pessoas saibam que a comida foi preparada especialmente para elas. “Como eu queria receber uma marmita? É assim que servimos”, resumiu. “Dar o conforto e o carinho do alimento é muito bom e muito gratificante”, reconheceu a voluntária.

“O grande sujeito desse momento de solidariedade são as pessoas nas suas individualidades que querendo ajudar encontraram esse ponto de encontro, de apoio e a partir daí ampliaram as ações individuais e por isso mesmo se transformaram comunitárias”, explicou padre Célio.

Trata-se de uma solidariedade que emociona até mesmo os que estão acostumados a trabalharem com ações sociais, como emocionou o próprio reitor do Santuário, ao tentar definir como foi esse momento: “Toda essa doação foi… É emocionante”.

Para o padre José Célio, toda essa experiência de solidariedade fez nascer um ser humano mais esperançoso. “É certo que somos capazes de cometer males, mas somos capazes dos gestos mais sublimes. É uma onda de solidariedade que nos faz ver que o ser humano é bom”, concluiu.

O lugar que guarda a memória e a experiência religiosa do Santo Apóstolo e Padroeiro do Brasil irradia com ações, hoje, aquilo que São José de Anchieta procurou viver e ensinar aqui, há mais de 400 anos. “Vivemos o legado de São José de Anchieta”, explicou padre Nilson.

“Como um ninho, o Santuário de Anchieta foi o lugar onde as pessoas se encontraram e encontraram abrigo. A partir desse espaço físico e também simbólico podem estender a sua caridade”, completou padre Célio.

Mensagens enviadas mas marmitas

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