O Brasil tem uma mãe negra e um pai imigrante europeu

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30 de setembro de 2019

São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, Poeta da Virgem Maria, intercede por nós hoje e sempre. Os dois títulos pelos quais invocamos Anchieta, no início de sua oração, estão intimamente ligados à data que festejamos hoje: Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

Poeta da Virgem Maria: um dos principais títulos de São José de Anchieta

É rápida a identificação e frequente a representação de Anchieta escrevendo nas areias da praia. Essa imagem representa o Poeta da Virgem Maria porque retrata, justamente, Anchieta escrevendo o Poema da Virgem Maria. Um dos principais textos marianos de Anchieta, o Poema foi composto na praia durante o período em que foi refém de uma negociação de paz. Com mais de seis mil estrofes, ainda hoje é o maior poema mariano já escrito.

São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil.

São José de Anchieta viveu o Evangelho e lançou as sementes da devoção mariana no Brasil. E esta foi uma terra particularmente fecunda para as manifestações de amor à Santa Mãe de Deus.

Jovem consagrado a Maria, chegou ao Brasil no ano de 1553 com apenas 19 anos. Logo na primeira viagem pela costa brasileira, sofreu um naufrágio, foi amparado pelos indígenas e seguiu por mais 44 anos vivendo o abandono na providência divina.

Apóstolo significa enviado. Jesus envia os apóstolos para “serem as testemunhas escolhidas da Ressurreição do Senhor e os fundamentos da Igreja” (§ 860, Catecismo da Igreja Católica). E assim Anchieta o fez. Amparou e acolheu. Optou por estar ao lado dos mais fragilizados. Buscou a paz e ensinou a conciliação.

Anchieta primeirou no desejo de consagrar o Brasil a Nossa Senhora

O encontro da Virgem da Conceição, nas águas do Paraíba do Sul, pelos três pescadores, foi a providência divina, completando o desejo de São José de Anchieta em dedicar o Brasil a Virgem.

Padre Nilson Marostica, reitor do Santuário Nacional de São José de Anchieta.

Esse desejo está relacionado a um acontecimento que data do século XVI. Uma imagem de Maria e o Menino Jesus com feições indígenas esculpida a pedido de Anchieta, após um debate público sobre a virgindade de Maria, com um Frade Franciscano do (atual) Convento da Penha, na capitania do Espírito Santo, que fez crescer a devoção à Mãe de Deus aos que assistiam, peregrinaria por todo o Brasil.

Após o debate “Anchieta então resolve dedicar o Brasil a Nossa Senhora e pede a um índio escultor que faça uma imagem de Nossa Senhora do Brasil”, explica o Reitor. Depois de pronta, “Anchieta gostou tanto que pediu que a imagem percorresse o Brasil de norte a sul passando por todas as capitanias”, conta o reitor. Segundo a tradição, a imagem foi enviada ao Ceará de onde começou a peregrinação que parou em Pernambuco e permanece na cidade de Recife.

Mãe Padroeira do Brasil, seu filho Anchieta hoje é, ao seu lado, Pai Padroeiro do Brasil

Anchieta produziu e continua a produzir muitos e bons frutos. Em especial, o fruto das férteis sementes de obediência ao sucessor de Pedro e o doce fruto da Devoção Mariana. Nas construções visíveis, nos textos preservados, na pregação transmitida e no exemplo edificado, o Brasil aprendeu de Anchieta o amor a Maria Santíssima.

Hoje, há 301 anos do encontro de sua imagem, e há 466 anos da chegada de São José de Anchieta ao Brasil, no dia que a celebramos Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, recordamos que Anchieta recebeu a honra de ser reconhecido, ao seu lado, padroeiro do Brasil. Portanto, esta nação, o Brasil, tem uma mãe negra e um pai imigrante europeu, salvo pelos indígenas em um naufrágio.

Como Jesus nos ensinou

Nossa Senhora Aparecida: Escondida, reluziu. Frágil, edificou. Um sinal de contradição. Pela aparência poderia ter sido desprezada. Lembra-nos Anchieta que por sua doença, poderia ter sido desprezado.

Da pesca escassa à fartura dos peixes, o primeiro milagre que os pecadores Domingos, João e Felipe presenciaram após o encontro da imagem. Recorda-nos a vocação apostólica de Pedro, agora pescador de homens.

Naufragada, foi retirada das águas. Dividida e frágil, ao ser novamente unida revelaram-se sua força beleza. Sugere-nos a oração pelos cristãos: “Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós.” (Jo 17,11)

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