Enchentes no Espírito santo: do bom samaritano à porta estreita

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Se o caminho do amparo, da ajuda ao próximo nos recorda a parábola do Bom Samaritano, o caminho das ações a longo prazo, talvez, esteja mais próximo da imagem da porta estreita. Semelhante ao que São José de Anchieta ensinou com sua vida: defender os fracos e exortar os poderosos.


Quando acontece um desastre natural são necessários dois caminhos:

⁃ a ajuda imediata, a fim de amparar os que necessitam de amparo e socorro.

⁃ a análise critica e responsável para evitar novos desastres.

Imediatamente após as fortes chuvas que atingiram, sobretudo, os municípios de Iconha, Alfredo Chaves e Vargem Alta, tiveram início a mobilização para preparar alimentos, enviar água, roupas e todo tipo de ajuda que se faz necessária.

Anchieta cidade – onde está localizado o Santuário Nacional de São José de Anchieta – e próxima aos municípios atingidos, transformou-se em um grande pulmão de solidariedade.

Nas margens do rio e até mesmo nas praias são encontrados documentos e diversos itens, como manequins de loja, que são recolhidos, limpos e devolvidos nos pontos de coleta de doações. Ações quase invisíveis, mas que fazem parte do caminho da ajuda.

Todas as paróquias da Arquidiocese de Vitória se tornaram ponto de arrecadação de mantimentos e donativos. A saber:

– Alimentos não perecíveis

– Produtos de limpeza

– Produtos de Higiene pessoal

– Água

– Roupas de cama

O Santuário Nacional de São José de Anchieta, e a Paróquia Nossa Senhora da Assunção, também integram essa rede de apoio e abriram suas portas para receber os donativos e preparar alimento para ser enviado às regiões afetadas.

Analisar, corrigir para que a tragédia não se repita

Ultrapassar a lógica de que todo desastre ocasionado por fenômenos naturais são inevitáveis, é o primeiro passo. Se há risco conhecido, há de se ter planos de emergência e contenção.

Para utilizarmos um só exemplo. Entre as regiões atingidas está a do município de Alfredo Chaves, que no ano de 2012 sofreu uma inundação semelhante. Naquele ano, nenhuma vítima. Oito anos depois, sem nenhuma estratégia pública amplamente conhecida para redução de impactos, capacitação e fortalecimento profissional da Defesa civil e treinamento da população, nova enchente e três pessoas perderam a vida.

Avaliação crítica e responsável

Equipes multidisciplinares podem atuar na mitigação dos efeitos de grandes precipitações pluviométricas.

Das atividades agrícolas até a ocupação urbana; da preservação das áreas de mata até as autorizações para aterro de áreas de várzea; do assoreamento dos rios até a falta de saneamento nas cidades. Das nascentes a foz dos rios.

Há muitas perguntas e hipóteses. E todas elas são importantes. Mas é necessário dar um passo adiante e não parar em respostas rasas e comentários superficiais.

A porta estreita

Se o caminho do amparo, da ajuda ao próximo nos recorda a parábola do Bom Samaritano (Lc 10- 25-37), o caminho das ações a longo prazo talvez esteja mais próxima da imagem da porta estreita. Pois, a “porta estreita conduz à vida” (MT 7,13) e neste caso, a omissão seria a porta espaçosa que leva a morte, como podemos ver nestas 6 vítimas da enchente do verão de 2020 nos municípios do sul do estado do Espírito Santo.

Que sejam elas, sementes de uma nova década de cuidado com o próximo, para Maior Gloria de Deus.


Imagens do resgate de idosos (Casa Lar), ruas e casas dos município de Alfredo Chaves após a enchente.
(Fotos: Valentim Cardoso | Presidente da Casa Lar)

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